No
carnaval de 2001, Bárbara e sua família foram para Caldas Novas em Goiás, foi o
primeiro carnaval que ela passava fora de São Paulo e foi a primeira vez que
ela vira um carnaval de rua. Para quem não conhece Caldas novas, existe uma
avenida grande com hotéis e um clube de águas térmicas onde a bagunça rola
solta e as ruas paralelas ficam na escuridão. Bárbara nunca tinha visto tanta
gente maluca em sua vida, como ela tinha ido de excursão, fez amizade com outras
meninas que tinham mais ou menos a idade dela.
As
garotas eram lindas e já na primeira noite que saíram juntas, Bárbara se sentiu
inferiorizada porque todas elas beijaram homens lindos e ficaram a noite toda
se agarrando.
Na
segunda noite foram ao clube e Bárbara estava se sentindo o patinho feio,
sentia-se constrangida porque tinha a sensação que somente os feios a procuravam.
Foi ai que chegando a terceira noite, uma das meninas sugeriu que Bárbara
tomasse duas doses seguidas de tequila porque assim ela se sentiria mais bonita
e mais atraente. Então ela se preparou, tomou banhou, passou um óleo mega
cheiroso, colocou uma roupa em que se sentia agradável e saiu para o abate de
carnaval.
No
bar do hotel pediram oito doses de tequila e cada uma virou duas doses e em
questão de segundos Bárbara começou a ver luzinhas no fim do túnel e se sentiu poderosa.
Se sentindo autoconfiante, Bárbara decidiu tomar mais uma caipirinha para
completar o ciclo da bebedeira. Saiu do hotel completamente “balão” e conforme
ela ia andando pela avenida, as pontas dos pés estavam leves como se ela
estivesse flutuando, fazia cara de Angelina Jolie e foi aí que no meio de suas
andanças, já completamente zonza, Bárbara avistou o Brad Pitt encostado numa
árvore ao lado da entrada do clube, foi como ouvir música na cabeça. Bárbara
continuou andando em direção ao seu Deus grego e percebeu que uma das garotas
do grupo a chamou, mas o cara estava com o olhar fixo em Bárbara e ela estava
doida para se enroscar com o falso Brad Pitt.
Ela
estava tão louca que resolveu fingir que era de algum país do leste europeu e
que por isso falava um mal inglês e que tão pouco entendia português. Então
Bárbara foi até o cara, sem perguntar o nome dele e o agarrou; ficaram a noite
toda juntos se beijando e dançando,
Houve
um determinado momento em
que Bárbara e o cara saíram do clube e foram para uma rua
escura e começaram a se agarrar no maior rala e rola quando de repente ouviram
um zum zum zum, ela avistou quatro lanternas apontadas em direção a eles, eram
os guardinhas da rua e uma multidão assistindo de camarote Bárbara em posições
comprometedoras no meio da calçada. Bárbara ficou sem fala, afinal ela não
falava português. Ela se levantou com a cabeça abaixada e saiu correndo
tentando se esconder já xingando em português. O rapaz por sua vez se levantou com as
calças arriadas, sem chance de se recompor e caiu de volta no chão.
No
outro dia no hotel durante o café da manhã, todos olhavam para Bárbara como se
ela tivesse cometido um crime hediondo e quando ela menos esperava logo depois
do café ela avistou um cara parado na recepção olhando para ela e foi aí que
uma das meninas disse “foi aquele desdentado que você estuprou ontem”. O cara
era horroroso e tinha um dente quebrado tipo “Nerso da Capitinga”, ela queria
abrir um buraco e se enfiar dentro.
Bárbara
sentiu tanta vergonha que passou o último dia da viagem trancada no quarto do
hotel e só saiu pra pegar o ônibus de volta pra São Paulo, ainda assim com muita vergonha. Bárbara passou a viagem se sentindo aliviada por nenhum de seus amigos terem presenciado esse episódio de sua vida, só o que ela queria era apagar o carnaval de 2001 de sua memória.
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