sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O espectador


Clarice estava navegando na internet e conheceu um cara que morava uns 300 km da cidade dela, trocaram MSN e iniciaram uma amizade. Depois de quase um mês de contato virtual, o moço estava tão interessado em Clarice que resolveu viajar os 300 km para conhecê-la.

Todo encontro “às escuras” é um pouco constrangedor e esse não era diferente, Clarice ainda não se sentia confortável com situação, então pediu para um amigo aparecer de propósito no bar durante o encontro, caso ela precisasse ser resgatada de uma situação embaraçosa.

Chegando ao bar Clarice conheceu o rapaz e ele lhe pareceu muito receptivo e aí o papo deslanchou sem maiores constrangimentos.  Papo vai, papo vem quando se menos esperava chega o amigo de Clarice para averiguar a situação.

Ele se aproxima de Clarice e diz: “não acredito que você está aqui” e ela responde: “João, quanto tempo! Que saudades! Como você está?” e os dois encenam uma cena de dois amigos que não se viam por um longo tempo e na emoção do reencontro de um amigo tão querido, Clarice convida João para se sentar à mesa com ela e o cara da internet.
Diante de uma saia justa, o cara foi obrigado a compactuar da decisão de Clarice.

João e Clarice começaram um papo relembrando os velhos tempos, contando estórias da época da carochinha, mencionando amigos em comum entre eles, enquanto o cara permanecia sentado completamente deslocado ouvindo as estórias sem a menor chance de participação na conversa.

No final da noite, mesmo percebido a roubada em que tinha se metido o cara ainda se viu obrigado a pagar a conta do bar, não houve muito que fazer, pois o garçom entregara a conta para ele enquanto Clarice e João continuaram no papo que os entreteve a noite toda.

O cara achou que seria o protagonista da noite, mas acabou virando um mero espectador da estória e viajou 300 km de volta para sua cidade e nunca mais entrou em contato com Clarice.

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